Yohann Reimer

Como atualizar o catálogo da sua loja sem perder o que já estava bom

Quem vende produto, em loja ou em fábrica, tem um catálogo, uma tabela de preços ou um PDF que circula no WhatsApp. Em algum momento surge a vontade de melhorar esse material. As fotos estão pequenas e borram quando o cliente dá zoom. O fundo muda de uma peça para outra. Um produto saiu de linha e ainda aparece na página 14.

Hoje há ferramentas que resolvem boa parte disso sozinhas, com automação e inteligência artificial. O risco é achar que, se a ferramenta fez, está certo. Nesta semana revisei vários catálogos assim e quero dividir os critérios que usei. Servem para qualquer empresa que mexe em material de venda.

1. A versão antiga não se mexe

A primeira regra que adotei foi não apagar nem sobrescrever nada. Cada melhoria virou um arquivo novo, e os originais e os PDFs anteriores ficaram onde estavam. Para conferir que nada foi alterado, comparei as assinaturas dos arquivos antigos (uma espécie de impressão digital de cada um) antes e depois.

Imagine um exemplo ilustrativo: você melhora as fotos do catálogo de inverno e descobre que o novo arquivo perdeu a cor de um tecido. Se o antigo foi substituído, você refaz o trabalho do zero. Se o antigo está guardado, você volta em um minuto. O custo de guardar é um pouco de espaço em disco. O custo de não guardar pode ser semanas de retrabalho.

2. Conferir uma por uma, mesmo quando dá preguiça

Ao ampliar a resolução das fotos, comparei cada imagem nova com a original, lado a lado. Parece exagero, mas as falhas dessas ferramentas são pequenas e específicas, como um braço com contorno estranho, um rosto levemente diferente ou um fundo que escureceu. Quem olha o conjunto não vê. Quem olha uma foto de cada vez vê.

Em alguns casos o resultado foi reprovado e a correção não foi aceita. Isso faz parte do processo. Uma ferramenta que acerta quase tudo ainda erra algumas vezes, e é nessas vezes que o cliente repara.

Um critério prático: quanto mais difícil é consertar depois que o material circulou, mais completa deve ser a conferência. Um PDF que já foi para dezenas de clientes não volta.

3. Mudar só o que precisa mudar

Ao retirar dois produtos de um catálogo, o risco é mexer em outras páginas sem querer. Para evitar isso, comparei cada página da versão nova com a anterior, e a única diferença permitida era o rodapé com a numeração. Fora dele, nada podia ter mudado.

Esse cuidado vale para a sua empresa mesmo sem ferramenta nenhuma. Quando alguém “só atualiza a tabela de preços”, vale perguntar o que foi alterado além do pedido. Peça que a pessoa liste as diferenças antes de enviar.

4. Saber parar

Parte do trabalho dependia de um serviço que oferecia uma modalidade gratuita por tempo limitado. Quando ela acabou, decidi não usar créditos pagos nem renovar plano automaticamente. As correções de fundo que faltavam ficaram numa lista de pendências, e a etapa foi pausada.

Para o dono de empresa, o ponto é que automação sem limite definido de custo e de escopo costuma gerar surpresa na fatura. Defina antes o que será feito, o que ficará para depois e quando o trabalho para.

5. Contar o que de fato foi contado

Esse cuidado serve também para os números do seu negócio. No site que mantenho, passei a registrar os contatos recebidos pelo formulário. Anotei desde o início que um contato registrado não significa uma pessoa diferente e muito menos uma venda. A mesma pessoa pode escrever duas vezes, e testes também entram na conta.

Quem acompanha anúncios e vendas cai nessa armadilha com frequência: chamar de “venda” algo que foi só um clique ou um pedido de orçamento. Para ir mais fundo, escrevi sobre isso em Antes de confiar nos números de anúncio, confira de onde vêm as vendas.

Onde um apoio externo costuma ajudar

Esses critérios (guardar a versão anterior, conferir por amostra ou por completo, limitar o que muda, definir custo e contar com honestidade) são parte do que faço em consultoria de processos e automação para pequenas e médias empresas, principalmente comércio e indústria. Muitas vezes o dono concentra tarefas manuais e não tem quem confira o trabalho de ninguém. Se quiser conversar sobre como organizar isso na sua empresa, a primeira conversa é gratuita e sem compromisso: veja como funciona o Raio-X da sua empresa ou conheça a consultoria.

Um roteiro curto para usar já

Antes de pedir a alguém (ou a uma ferramenta) que atualize seu catálogo, responda a estas perguntas:

  1. Onde fica a versão atual, e quem garante que ela não será alterada?
  2. O que exatamente deve mudar? Escreva em uma frase. O que não estiver nela não pode mudar.
  3. Quem vai conferir, e como? Defina se é amostra ou conferência completa e por quê.
  4. Qual o limite de custo e de tempo? Defina também o que fazer se ele for atingido.
  5. O que será medido depois? Escolha o número que vai dizer se melhorou, e não confunda contato, visita e venda.

O que este relato não prova

Conferi a qualidade visual e a integridade dos arquivos. Não tenho dados sobre se o catálogo novo vende mais, e não afirmo isso. Melhorar a imagem é uma hipótese razoável para o cliente confiar mais no produto, mas só a sua própria medição, feita com cuidado, mostra se isso aconteceu na sua empresa.